Aula Aberta sobre "Sistema Inteligente de Gestão e Controlo Operacional para Companhias Aéreas"

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No âmbito do curso de 1.º Ciclo em Informática de Gestão do Instituto Superior Miguel Torga, decorreu no dia 5 de Junho uma Aula Aberta sobre "Sistema Inteligente de Gestão e Controlo Operacional para Companhias Aéreas".

Texto: Ana Duarte
Fotografia e Vídeo: Luís Fardilha

A sessão foi ministrada pelo professor doutor António Castro, licenciado em Engenharia de Sistemas de Informação, pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto, e mestre e doutor em Inteligência Artificial e Sistemas Inteligentes, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. No âmbito do seu doutoramento e da investigação sequente, nasceu a MASDIMA, da qual é co-fundador e CEO: “Constituída em 2014 com o objectivo de trazer para o mercado o resultado da investigação efectuada na área das irregularidades operacionais”. Apesar de recente, a empresa já venceu o prémio de Melhor Empresa Inovadora, no evento AGIFORS Airlines Operation, “que é o maior evento, a nível internacional, na área das operações aéreas”.

O orador desempenha funções de Engenheiro de Software na TAP Portugal, sendo consultor de administração desta empresa para o desenvolvimento de projectos de sistemas de informação. Começou por apresentar o projecto de desenvolvimento de software baseado em agentes que está numa fase não ainda de produção mas de prova de conceito em ambiente real. Na sua exposição, parte de uma definição de inteligência: “Capacidade mental, bastante geral, que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planear, resolver problemas, pensar de forma abstracta, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência”. Mediante esta definição, questiona o público: “Será que um agente ou agentes de software, programas de computador, podem ser considerados inteligentes?”. Na opinião de António Castro, “um agente de software ou um programa de computador consegue ser autónomo o que significa que, de alguma maneira, ele tem a capacidade de tomar uma decisão, de aprender”.

O sistema apresentado tem várias características: de aprendizagem por reforço, “aprende à medida que executa e aprende com os erros”; de mudança, tem a capacidade de se adaptar ao ambiente e de resolução de problemas. Este conceito de agente de software é uma entidade computacional com autonomia, característica “mais aceite” nesta área de investigação. Um segundo conceito foi o de sistema multiagente, “conjunto de agentes de software que interagem entre si” pelo que necessitam de ter um protocolo de interacção, assim como uma linguagem comum. Embora na investigação científica estes paradigmas reportem à década de 80/90, a sua aplicação na indústria é recente. No caso do transporte aéreo, e segundo dados de 2011, existem cerca de 3 biliões de passageiros que o utilizam anualmente, não incluindo a carga, 4 mil aeroportos principais, 1500 companhias aéreas comerciais e 27 milhões de voos por ano. Destes voos, considerando os atrasos superiores a 15 minutos, apenas 44% cumprem os horários e os custos destes atrasos correspondem a 3% das receitas anuais das companhias aéreas. No caso da TAP, que tem receitas anuais de “2 mil milhões de euros, os custos pelos atrasos são de 66 milhões de euros”. Para além destes custos directos, existem custos não quantificáveis, o da perda de “rodwell de passageiros”, que pretende quantificar o impacto nas vendas futuras. Portanto, é importante gerir com eficiência e eficácia as operações irregulares/atrasos. A partir de um exemplo de uma operação irregular, um caso da TAP, efectuou o seguinte exercício: “Do conjunto de soluções possíveis para a resolução do problema ocorrido, considerando as restrições temporais, qual a será a melhor solução com o mínimo impacto nos passageiros e mínimo custo operacional?”. Esta questão esteve na base da sua investigação.

O projecto pretendeu desenvolver um sistema cuja a solução para uma operação irregular seja a escolhida de um conjunto de soluções integradas e não construída por um processo sequencial. Este sistema tem um grande impacto económico para o transporte aéreo em geral, minimiza as irregularidades e, por consequência, melhora o funcionamento dos aeroportos, das companhias aéreas e reduz os custos globalmente. “É um passo em frente para se ter uma abordagem centrada no passageiro”. A continuidade deste projecto de investigação depende do investimento financeiro que nele for aplicado.

A organização da sessão esteve a cargo da Professora Doutora Maria Joana Urbano, no âmbito da unidade curricular “Informática de Gestão”.

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