Aula Aberta sobre "O Estado Social de parceria e os pobres"
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No âmbito do Seminário “Formação, Investigação, Trabalho e Internacionalização no Serviço Social” decorreu, no dia 23 de Janeiro, no Instituto Superior Miguel Torga, a Aula Aberta sob o tema “O Estado Social de parceria e os pobres”. Texto: Ana Clara Duarte |
Mestre em Sociologia e Assistente Social da Junta de Freguesia da Campanhã, Porto, José António Pinto foi o orador da sessão, sob o tema “O Estado Social de parceria e os pobres”. O convidado considera-se, ele próprio, como um “rebelde competente” e foi, em Dezembro de 2013, galardoado com a medalha de ouro comemorativa do 50º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, pela Assembleia da República, a qual recusou, afirmando que a trocava por outro modelo de desenvolvimento económico. Em primeiro lugar, José Pinto salienta a necessidade de se alterar a palavra “parceria” por “falido ou mesmo morte lenta, em que o Governo está preparado para enterrar o actual Estado Social”. A primeira nota abordada pelo convidado foi o facto de existir uma relação directa entre a qualidade da democracia e a qualidade do Estado Social, ou seja, “quando um Governo destrói um Estado Social está a pôr em causa a democracia e o próprio regime democrático”; outro ponto foi a “inexistência de riqueza, de crescimento económico e de aumento de produtividade que leva à impossibilidade de o Estado criar políticas sociais generosas” – são três aspectos que deveriam existir mas, essencialmente, distribuídos “com justiça”. O orador salientou que a “dívida privada tornou-se pública e nós é que a estamos a pagar: a dívida e os seus juros”. Para inverter a tendência do desemprego e do envelhecimento, “porque não mudar as leis do mercado, a estrutura do emprego e as leis produtivas?” ou “e que tal cobrar às empresas a dívida que têm com a Segurança Social?”. Um dos exemplos dado por José Pinto para a “destruição da Segurança Social” foi a privatização dos Correios de Portugal. Uma outra questão levantada pelo convidado foi: “Se houve 150 milhões de euros para se gastar num estudo sobre o TGV, que foi para o lixo, então não há dinheiro para dar alguma dignidade às pessoas que vivem na pobreza?”. Se há conflito tem de haver paz, caso contrário o capital não produz. É neste sentido que “as IPSS e a Igreja servem de almofada”. O que cada indivíduo pensa e o significado que dá à sua situação são dois aspectos de extrema importância para se compreender o conceito de pobreza. A consistência teórica, sensibilidade social e a militância são essenciais para se ser um bom profissional, seja em que área for. José afirma que se não conseguir dar dignidade à vida dos outros, a sua própria vida deixa de ser digna.
No final da sessão foi gerado um debate alargado, nomeadamente à volta das questões levantadas pelo convidado no decorrer desta Aula Aberta.
A organização esteve a cargo da Coordenação do Mestrado em Serviço Social. A actividade foi programada no âmbito do Seminário de Dissertação II, da 12ª edição do curso de Mestrado em Serviço Social, lecionado pelas docentes Alcina Martins e Maria Rosa Tomé, em articulação com a coordenadora do I Ciclo de Serviço Social, Dulce Simões.
Breve discurso de José António Pinto no Parlamento em 10 de Dezembro de 2013:
Veja algumas fotografias do evento:
Veja o vídeo:

